Operação europeia combate fraude com criptomoedas com prejuízo de 100 milhões

A Eurojust coordenou uma ação transnacional que travou um esquema de investimento fraudulento em criptoativos ativo desde, pelo menos, 2018, com vítimas em vários países europeus e prejuízos que ultrapassam os 100 milhões de euros.

Lisboa à noite com fita policial, mapa da Europa a destacar Portugal, bitcoin e algemas; operação europeia contra fraude cripto.

A ação deteve cinco suspeitos em diferentes jurisdições. Em Portugal, a Polícia Judiciária realizou nove buscas e deteve um arguido ao abrigo de um Mandado de Detenção Europeu. Segundo a Eurojust, o golpe funcionava através de plataformas online que prometiam grande rentabilidade.

Além de exibir sinais de sucesso para captar depósitos. A investigação abrangeu 23 países entre os locais onde residem vítimas, bem como territórios usados para dissipar os montantes ilícitos.  

Portugal no mapa do caso

A PJ detalhou que, entre os ofendidos identificados, há vítimas em Portugal com perdas superiores a um milhão de euros. Em território nacional, foram apreendidos seis imóveis situados na Grande Lisboa, três apartamentos e três moradias, três veículos de gama alta, um motociclo.

Além, é claro, de vários relógios de luxo, 15 quadros e cerca de 20 mil euros em criptoativos. Estima-se que o esquema tenha lesado mais de 100 vítimas em pelo menos 100 milhões de euros desde 2018. Por isso, a PJ sublinhou que o processo corre termos no DCIAP, tendo as diligências sido articuladas com autoridades congéneres.

A operação, apelidade de Operação Araña, demonstrou que, as páginas e interfaces usadas para captar vítimas imitavam plataformas legítimas de investimento. Dessa forma, mostravam provas de ganhos consistentes e mensagens de atendimento que encorajavam depósitos adicionais.

Assim, quando as vítimas tentavam resgatar fundos, surgiam exigências de taxas ou verificações que travavam levantamentos. Por fim, a consequência era o súbito desaparecimento do acesso. Nesse passo, tudo era muito bem articulado, desde a captação via web, até a transferência dos fundos para contas controladas pelos suspeitos. 

E ainda, havia uma grande engenharia de camadas transfronteiriças para ocultar a origem ilícita. Diante disso, a qualificação jurídica do caso inclui crimes de associação criminosa, branqueamento de capitais e burla qualificada, de acordo com a PJ.

É preciso ressaltar que o suporte operacional veio da coordenação da Eurojust e do apoio da Europol. Nesse passo, as autoridades articularam Mandados de Detenção Europeus, com ordens europeias de investigação e medidas de congelamento de bens. 

Sinais de alerta e prevenção

A realidade demonstrada pelo caso coincide com avisos recentes do Banco de Portugal e da CMVM sobre o aumento de fraudes que usam o criptoativos para ganhar credibilidade junto do público.

Em junho de 2025, o Banco de Portugal alertou para contactos, muitas vezes em inglês ou noutros idiomas, que se fazem passar por representantes de entidades de criptoativos. Por meio destes, havia promessas de reativar carteiras.

Além disso, havia pedidos de pagamentos para libertar saldos supostamente retidos. Por este motivo, as autoridades são sempre claras em não efetuar pagamentos e desconfiar de promessas de recuperação de fundos ou de ganhos garantidos.

Dessa maneira, para reforçar a proteção, o Banco de Portugal mantém uma página dedicada a conselhos práticos sobre como evitar falsos investimentos em cripto. Com explicações sobre o seu papel regulatório no registo de entidades que exercem atividades com ativos virtuais para fins de prevenção de branqueamento de capitais.

Por seu turno, a CMVM disponibiliza uma área onde divulga alertas sobre entidades não autorizadas e liga a bases de dados de entidades autorizadas, recomendando verificações prévias antes de qualquer transferência.

A ação está longe de finalizar

Apesar da coordenação eficaz desta ação, ela não encerra o problema das burlas com cripto. Todavia, evidencia a maturidade da resposta coordenada europeia e a crescente capacidade de apreensão de património associado a esquemas digitais.

Nesse passo, em Portugal, o cruzamento entre avisos preventivos de supervisores, a atuação do DCIAP e a cooperação com congéneres europeias é um indicador de vigilância institucional. Nos últimos dias, as autoridades europeias de supervisão voltaram a sublinhar a necessidade de verificar sempre credenciais e registos antes de investir.

Foto de Vinícius Alencar

Vinícius Alencar

Desenvolvedor e escritor

Sobre o autor

Vinícius Alencar é um escritor técnico que traduz o mercado cripto para a prática do dia a dia. Autodidata e mão na massa, ele testa wallets, exchanges, dApps, layer-2 e ferramentas de segurança em diferentes dispositivos e cenários reais.