Português detido em Banguecoque por megafraude cripto de 500 milhões de euros
Um cidadão português, identificado na imprensa como Pedro Mourato, foi detido em Banguecoque, Tailândia, por suspeitas de ter orquestrado um esquema internacional de fraude com criptomoedas e cartões de crédito avaliado em cerca de €500 milhões.
A detenção aconteceu após a polícia tailandesa ter confirmado a identidade do suspeito com recurso a bases biométricas. Isso, na sequência de uma pista dada por um jornalista português que o terá reconhecido num centro comercial de luxo.
As autoridades locais dão ainda conta de eventual overstay do visto e de movimentos bancários na Suíça associados ao dinheiro alegadamente obtido com burlas. Dessa forma, a detenção ocorreu a 2 de outubro de 2025, em Banguecoque, depois de uma ação que se prolongou por várias horas.
A polícia recorreu a reconhecimento facial e cruzamento de dados para validar a identidade do suspeito, que terá entrado inicialmente no país com visto de turista. Assim, a interpelação das autoridades foi desencadeada após o cidadão ter sido reconhecido por um compatriota nas ruas de Banguecoque.
Quem é o suspeito e como era o alegado esquema
A imprensa identifica o detido como Pedro Mourato, natural de Lisboa, com menções a antecedentes por falsificação em 2017 em Portugal. Diante disso, o esquema combinaria investimentos em criptoativos com fraude de cartões e utilização de passaportes falsos, tendo gerado vítimas em vários países europeus e asiáticos.
O padrão descrito alinha com outras operações conhecidas na região. Onde, promessas de ganhos rápidos e a simulação de carteiras rentáveis servem de isco para transferências sucessivas. Para além disso, condutas como burla e burla qualificada estão previstas no Código Penal.
Consequentemente, com agravamentos quando praticadas de forma organizada ou com recurso a meios informáticos. Em paralelo, o pilar de prevenção do branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo (BC/FT), consolidado na Lei n.º 83/2017, estrutura as competências das autoridades nacionais na investigação financeira.
Estes instrumentos permitem ao Ministério Público e à Polícia Judiciária articular investigações com congéneres europeias e asiáticas. Nos últimos meses, a PJ tem desenvolvido operações de grande escala contra fraude informática com ramificações em cripto.
Clarificado, por meio da Operação Pivot, com 64 detidos por suspeitas de crimes informáticos, burla qualificada e branqueamento. O caso reforça que Portugal está a apertar o cerco a redes transnacionais que usam ativos virtuais como meio de pagamento ou dissimulação.
MiCA e supervisão partilhada
No plano regulatório, 2025 marca a execução do MiCA (Regulamento dos Mercados de Criptoativos). Além do avanço de um diploma nacional que partilha a supervisão entre Banco de Portugal e CMVM, clarificando quem faz o quê.
Assim, o BdP assume registo e matérias de BC/FT. Já a CMVM reforça o perímetro comportamental e de mercado. A proposta foi aprovada em Conselho de Ministros e remetida à Assembleia da República em setembro. Tal ato, consagra em letra de lei a repartição de poderes prevista pelo MiCA.
O Banco de Portugal tem reiterado alertas ao público sobre fraudes que usam o branding de cripto para prometer rentabilidade garantida. Incluindo um aviso recente sobre reativação de falsas carteiras e suporte técnico que exige pagamentos para recuperar supostos saldos.
Assim, a leitura é inequívoca, a massificação dos criptoativos trouxe oportunidades, mas também engenharia social e golpes cada vez mais sofisticados. Dessa maneira, à luz dos casos investigados em Portugal e do padrão descrito na Tailândia, os elementos comuns incluem promessas de ganhos elevados sem risco.
Para além disso, há pressão para decisões rápidas, bem como, plataformas que exibem saldos fictícios e pedidos de taxas para desbloquear ou reativar carteiras. Sendo assim, o Banco de Portugal sintetiza estas práticas em páginas de educação financeira e avisos ao consumidor.
A recomendação é muito clara, deve-se sempre verificar a idoneidade das entidades, bem como desconfiar de retornos garantidos e reportar situações suspeitas às autoridades. Em caso de dúvida, a consulta direta aos recursos do BdP é o caminho mais seguro. Diante dos fatos, a segurança nas realizações de transações é a melhor alternativa.