Macau acelera a pataca digital e o que o Brasil pode aprender com o Drex
A Autoridade Monetária de Macau (AMCM) vem dando passos concretos para transformar a pataca digital a e-MOP em realidade. Brasil pode aprender lições com o Drex.
Depois de concluir o sistema-protótipo e lançar o Livro Branco , o governo local confirmou que realizará testes em ambiente controlado sandbox antes do lançamento oficial. O foco é a segurança, estabilidade e integração com outras infraestruturas financeiras da Grande Baía.
Em linguagem simples, a sandbox é o laboratório oficial para avaliar como a pataca digital se comporta quando interage com bancos. Bem como carteiras e sistemas de pagamento locais, sob regras de conformidade e com resiliência tecnológica.
A expectativa pública, é que os testes de sandbox ocorram ao longo de 2025, servindo para refinar requisitos de privacidade, KYC/AML, continuidade de negócios. E, principalmente, interoperabilidade com ecossistemas vizinhos (como o e-CNY) na GBA.
Integração regional: GBA, e-CNY e a ponte com Hong Kong
O plano de Macau não ocorre no vácuo. A comunicação oficial projeta interconexão com outras infraestruturas e prioridade para uso transfronteiriço na Zona de Cooperação Aprofundada, de olho no corredor financeiro da GBA.
Ao citar, no médio prazo, interface com o e-CNY e com um dólar digital de Hong Kong, a AMCM indica que o sucesso da e-MOP depende tanto do desenho doméstico quanto da coordenação regulatória com vizinhos que já avançam em regras para emissores de ativos digitais e stablecoins.
Dessa forma, para o usuário final, isso pode significar pagamentos mais eficientes entre jurisdições e menor atrito cambial em casos de uso delimitados pela regulação. Por sua vez, no Brasil, o Banco Central publicou em 27 de fevereiro de 2025 o Relatório da 1ª fase do Piloto Drex.
Tal relatório consolidou aprendizados sobre arquitetura, privacidade e segurança da futura plataforma. O documento detalha testes de tokenização e liquidações com regras de confidencialidade, privacidade e descentralização. Além de explicar por que a segunda fase seguirá aprofundando os casos existentes, sem ampliar o escopo por enquanto.
Semelhanças e diferenças entre e-MOP e Drex
Em outras palavras, o Drex continua um projeto de infraestrutura financeira tokenizada, acessível ao público via instituições autorizadas, e não uma criptomoeda estatal aberta e sem guardrails. Nesse passo, tanto a e-MOP quanto o Drex apostam em plataformas programáveis para reduzir atritos de liquidação.
Ambos também colocam privacidade e conformidade no centro do design, com salvaguardas para que autoridades e supervisores cumpram seu papel sem expor dados de clientes. Onde há diferença é no arranjo institucional e no horizonte de integração transfronteiriça.
Isso porque, Macau sinaliza, desde o Livro Branco, a intenção de interoperar com o e-CNY e com Hong Kong. Enquanto isso, o Brasil concentra-se, por ora, na robustez doméstica do sistema e no encadeamento com seu mercado de capitais e sistema de pagamentos.
No desenho de Macau, a promessa é preservar a experiência do usuário com meios eletrônicos já familiares, mas com ganhos de segurança, rastreabilidade e integração entre instituições. O impacto tende a ser mais visível em operações B2B e no back-end bancário.
Isso com efeitos indiretos em rapidez de pagamentos, reconciliação e redução de custos de compliance. Para o comércio e para o turismo regional, a interoperabilidade com o e-CNY pode simplificar pagamentos em corredores específicos e diminuir atritos de câmbio, desde que regras e limites sejam claros.
Dados atuais do Brasil ajudam a entender a ambição
No Brasil, o Drex abre caminho para tokenizar ativos e programar pagamentos condicionais. A dimensão do Pix ilustra por que a agenda de programabilidade interessa ao país, o sistema de pagamentos instantâneos já soma bilhões de transações mensais e é referência de inclusão financeira.
À medida que a programabilidade avançar no Drex, casos de uso hoje costurados em integrações proprietárias podem migrar para um ambiente comum, audível e resiliente, com regras uniformes de privacidade e automação.
O próprio BC, ao divulgar o relatório, reforçou que a evolução tecnológica deve preservar o sigilo e colar na lei brasileira de proteção de dados e no marco regulatório do SFN, o que sugere uma linha de continuidade com o que já deu certo no Pix: escala com governança.
Do lado de Macau, o calendário político-técnico aponta para testes em sandbox ao longo de 2025, com ênfase em cenários reais e medição de riscos. São dois laboratórios que, embora distintos, produzem lições complementares para quem trabalha com meios de pagamento, tokenização e mercado de capitais.