Macau acelera pataca digital: AMCM conclui 1ª fase e prepara testes até 2025
A Autoridade Monetária de Macau (AMCM) confirmou, que a pataca digital de Macau (e-MOP) é uma moeda com curso legal em formato digital e que o projeto entrou em fase de protótipo desde 2024.
Em setembro de 2024, a AMCM e o Instituto de Moeda Digital do Banco Popular da China realizaram reuniões técnicas em Macau. A fim de preparar a demonstração pública do sistema-protótipo e organizar os trabalhos da próxima etapa.
No final desse mesmo ano, o Livro Branco da e-MOP foi oficialmente lançado. Com isso, consolidou o desenho do projeto e seu roteiro em fases, de testes internos, o sandbox. E, até mesmo, testes públicos abrangentes.
O que é a e-MOP e como será testada
Segundo o Livro Branco, a e-MOP é moeda oficial de Macau em formato digital, distinta de criptoativos privados, e será emitida sob supervisão da AMCM. O programa tem fases sequenciais. Iniciando, com a construção do protótipo, passando por testes internos em sandbox.
Isso com avanço regulatório e, por fim, testes públicos abrangentes com expansão dos pontos-piloto. O objetivo declarado é permitir, no futuro, interconexão com outras infraestruturas de pagamento. Além de priorizar o uso transfronteiriço.
Vale destacar que Macau não avança isoladamente. Hong Kong, por meio da Autoridade Monetária (HKMA), lançou a Fase 2 do programa do e-HKD e ampliou a agenda para Project e-HKD+. Dessa maneira, investiga casos de uso e a convivência entre dinheiro digital do banco central e depósitos tokenizados.
A ponte com o Brasil: comércio, turismo e remessas
Em 2025, o secretário para a Economia e Finanças de Macau indicou a intenção de finalizar o sistema. E, usar a moeda digital como instrumento de liquidação em operações sino-lusófonas. Isso cria um cenário, ainda em construção regulatória e técnica.
Diante disso, exportadores brasileiros poderiam encontrar custos e prazos menores em liquidações com Macau e, por extensão, com parceiros chineses. Da mesma forma, no turismo, a evolução de carteiras digitais compatíveis na região (e-MOP, e-HKD e e-CNY) tende a reduzir atritos de aceitação e câmbio para brasileiros.
Essa não é uma realidade distante, já que, o governo de Macau, já explicitou que pretende interconectar o sistema da e-MOP com outras infraestruturas financeiras, priorizando uso transfronteiriço e interfaces com e-CNY e e-HKD.
Enquanto Macau estrutura a e-MOP, o Brasil opera em outra camada do mesmo fenômeno. Ou seja, os pagamentos instantâneos com o Pix e infraestrutura de CBDC atacadista/atacado-varejo com o Drex. De acordo com o Banco Central (BCB), as estatísticas oficiais do Pix mostram um sistema amplamente adotado e em crescimento contínuo.
Em 6 de junho de 2025, o Pix registrou 276,7 milhões de transferências em um único dia, um recorde que ilustra a escala do arranjo. Já em 16 de junho de 2025, o BCB colocou no ar o Pix Automático. Essa opção que permite pagamentos recorrentes com um único consentimento.
Por sua vez, em outubro de 2025, a Agência Brasil reportou a obrigatoriedade gradativa do suporte ao Pix Automático por instituições participantes. Isso se reflete nos dados, em 2024, segundo dados do BC compilados pela CNN Brasil, o Pix movimentou R$ 26,455 trilhões e somou 63,51 bilhões de operações.
O que observar até o fim de 2025
No curto prazo, a novidade é sobretudo institucional e de infraestrutura. A e-MOP avança com protótipo validado e programa de testes que se estende até o fim de 2025. Para exportadores e importadores brasileiros, a convergência tecnológica na Grande Baía pode, futuramente, reduzir prazos de liquidação.
Além, é claro, de diminuir custos de câmbio e reconciliação em operações China/ Macau e/ou Lusofonia. Para turistas, carteiras interoperáveis na região podem simplificar pagamentos e melhorar a experiência de consumo.
Um tema que o próprio governo de Macau tem destacado ao falar em interconexão com e-CNY e e-HKD. Assim, para empresas que vendem ao exterior, vale monitorar os testes públicos da e-MOP.
Além das pontes regulatórias que venham a surgir entre BCB e autoridades da região da Grande Baía. Isso, uma vez que a agenda local do Drex também mira tokenização e liquidação eficiente, peças potencialmente complementares em um comércio mais digital e programável.