Binance e Mastercard relançam cartão cripto no Brasil para uso no dia a dia

O anúncio do relançamento do cartão cripto Binance, mais conhecido como Binance Card, em parceria com a Mastercard, em 1º de outubro de 2025, reforça o papel do Brasil como laboratório de pagamentos digitais na América Latina.

Cartão cripto da Binance com bandeira Mastercard ao lado de duas moedas de Bitcoin, sobre mesa, com a bandeira do Brasil ao fundo.

Segundo a Mastercard, o cartão permite que clientes convertam cripto em reais no momento da compra e paguem em mais de 150 milhões de estabelecimentos da rede, no Brasil e no exterior.

Com suporte a ativos como Bitcoin, Ether, BNB, stablecoins e outras moedas digitais. A conversão ocorre de forma automática durante a transação. Tanto em lojas físicas quanto online, o que aproxima a experiência de uso do cotidiano financeiro tradicional.

O que muda na prática para o consumidor

Para o usuário brasileiro, a novidade traz a aceitação global via bandeira Mastercard, que amplia a utilidade dos saldos em cripto em ambientes já conhecidos. Do supermercado ao e-commerce, e sem exigir que o lojista “aceite cripto” diretamente.

Mas também há a experiência de liquidação instantânea em reais, com a Binance informando que a carteira do cliente pode ser configurada para priorizar quais ativos serão usados na conversão durante a compra.

Em sua comunicação de lançamento para o Brasil, a empresa relatou benefícios como cashback em determinadas faixas e a possibilidade de uso internacional, preservando a simplicidade de um cartão tradicional.

O encaixe com hábitos locais é impressionante, já que o Brasil vem estabelecendo um ecossistema de pagamentos digitais veloz e de ampla penetração, o que reduz fricções para novas formas de pagar.

Sendo assim, um cartão cripto que “fala a linguagem” do POS e do checkout online tende a ser percebido como extensão do que o consumidor já faz com débito e crédito, mas agora utilizando saldos em ativos digitais..

Adoção de cripto e dados do mercado brasileiro

Os dados de 2025 ajuda a explicar por que o país foi escolhido para protagonizar o relançamento. O Brasil subiu para a 5ª posição no Índice Global de Adoção de Criptomoedas da Chainalysis. Isso é sinal de uma base de usuários ampla e um mercado em maturação.

O país está entre os líderes globais em adoção, atrás apenas de Índia, Estados Unidos, Paquistão e Vietnã. Esse pano de fundo de alta familiaridade com cripto favorece soluções que aproximam o uso do ativo do dia a dia, e não apenas do investimento.

Além do índice de adoção, algumas estimativas falam do peso da região e do Brasil no volume transacionado em cripto. Relatos de mercado como o relatório da Chainalysis apontam o Brasil como líder latino-americano por valor movimentado, enquanto a América Latina ganha tração em stablecoins e operações institucionais.

Cartão cripto, Pix cripto, novidades em pagamento e regulação

Desde maio de 2025, a Binance integrou o Pix ao Binance Pay, permitindo conversão de mais de 100 criptos em BRL para transferências e pagamentos instantâneos dentro do app. Inclusive para contas bancárias e comércios que aceitam Pix.

Na prática, o Pix cripto funciona muito bem para pagamentos P2P, boletos com QR e transações em que o recebedor já utiliza o ecossistema do Pix. O cartão, por sua vez, cobre os estabelecimentos com POS da rede Mastercard. E o e-commerce que já aceita cartão, além de facilitar gastos em viagens.

Eles convivem e se complementam. E esse encaixe terá ainda mais relevância com as próximas funcionalidades do ecossistema brasileiro. O Banco Central anunciou recursos como o Pix Parcelado e o Pix Automático. O que ampliam o alcance do sistema em compras de maior valor e em pagamentos recorrentes.

A expansão do Pix pressiona o cartão tradicional a competir em conveniência. Mas também cria um chão de fábrica de pagamentos instantâneos sobre o qual soluções de cripto podem se apoiar.

O avanço de produtos de pagamento baseados em cripto ocorre em paralelo a uma agenda regulatória que ganhou tração no BACEN. Desde o ano passado, a autarquia submeteu consultas públicas para tratar de prestadoras de serviços de ativos virtuais (PSAV/VASPs). E também da inclusão de serviços de ativos virtuais no mercado de câmbio.

Os textos delineiam temas como governança, requisitos prudenciais e salvaguardas operacionais. A consulta pública nº 111, por exemplo, tratou da regulação da inclusão desses serviços no câmbio e recebeu centenas de contribuições até fevereiro.

Soma-se a isso a realidade dos meios de pagamento no país. O Pix já responde por uma grande parte dos pagamentos e depósitos, enquanto os cartões preservam o protagonismo no varejo, sobretudo pelo crédito parcelado. O cartão cripto da Binance pode afetar essa dinamica.

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Karla de Matos

Editora-chefe

Sobre o autor

Karla de Matos é editora-chefe da naoseicripto e jornalista especializada em criptoativos, pagamentos e finanças do dia a dia. Conduz a linha editorial, define a pauta e revisa cada texto antes da publicação. Seu objetivo é traduzir conceitos complexos em linguagem simples.