Fraude cripto de € 100 milhões na Europa alerta investidor brasileiro

A fraude estava ativa desde 2018, atingiu mais de cem vítimas sobretudo na Alemanha, França, Itália e Espanha, e movimentou pelo menos € 100 milhões. Cinco suspeitos foram detidos na megaoperação.

Mapa da Europa com rede de conexões, algemas e símbolo do Bitcoin dourado, ilustrando a ação da Eurojust que desmantelou fraude com criptomoedas de 100 milhões de euros.

A Eurojust coordenou, em 23 de setembro de 2025, uma operação transnacional que desmantelou um esquema de investimento em criptomoedas com promessas de retornos elevados. Cinco suspeitos foram detidos no dia de ação, incluindo o suposto líder, e ativos foram congelados após buscas em Espanha, Portugal, Itália, Roménia e Bulgária.

Como funcionava o golpe europeu 

O padrão é conhecido. Isso porque, se dá por meio de plataformas online com aparência profissional. As quais fornecem atendimento diligente nas primeiras interações e a narrativa de ganhos rápidos.

No entanto, quando a vítima buscava resgatar, surgiam taxas adicionais e, em seguida, o site sumia. Em Portugal, onde também houve buscas, a Polícia Judiciária detalhou a prisão de um alegado líder de organização internacional de criptoativos que operava com páginas criadas para aparentar profissionalismo.

Com isso, o suspeito persuadia investidores com a promessa de grande rentabilidade. A convicção era construída a partir de plataformas previamente estruturadas para esse fim, dinâmica que espelha exatamente o modus operandi reportado pela Eurojust.

Todavia, o golpe que deixou um rombo de quase cem milhões de euros nos investidores não é algo apenas do mercado europeu. Atualmente, o Brasil se apresenta como um dos maiores mercados de cripto do mundo. Tal crescimento, infelizmente, tem sido mira dos criminosos.

Para se ter uma ideia, relatórios recentes citados por entidades brasileiras indicam que mais de 90% dos fluxos locais envolvem stablecoins. Chamando a atenção para o mercado nacional, motivo pelo qual, autoridades competentes tem lançado alertas para investidores. 

Legislação brasileira sobre cripto

Na busca por trazer esclarecimentos ao público, várias autoridades competentes brasileiras emitiram notas sobre os cuidados com investimentos em criptomoedas. Além disso, chamam a atenção para a presença de legislação sobre as diretrizes legais de cripto.

Como é o caso do, Banco Central do Brasil, que já anunciou que a regulação específica de stablecoins integra as prioridades da autarquia. Além disso, dirigentes vêm reiterando o esforço de trazer emissores e prestadores para dentro do perímetro prudencial.

A Lei 14.478/2022 estabelece as diretrizes para a prestação de serviços de ativos virtuais no país. O Decreto 11.563/2023 regulamenta a lei e atribui ao Banco Central a competência para autorizar e supervisionar prestadoras de serviços de ativos virtuais (VASPs).

A Câmara dos Deputados ressaltou, à época da entrada em vigor, que o texto define parâmetros de atuação e mira segurança jurídica. Bem como prevenção à lavagem de dinheiro e proteção do usuário. Esses instrumentos não chancelam investimentos ou promessas de lucro.

Mas sim, definem quem pode operar, sob quais requisitos e com qual responsabilização. Além disso, quando uma oferta com cripto configura valor mobiliário, aplica-se a regulação do mercado de capitais sob a supervisão da CVM.

Na prática, o investidor deve verificar se a empresa que oferece o produto tem autorização do BC (para serviços de ativos virtuais). E, conforme o caso, se há registro ou dispensa na CVM. Essa checagem básica, embora pouco glamourosa, reduz o risco de cair em plataformas que parecem profissionais, mas não são.

Operações policiais recentes com foco em cripto

O movimento repressivo avança também no Brasil. Em 24 de setembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a Operação Lusocoin, voltada a lavagem de dinheiro e evasão de divisas por meio de criptoativos. 

Por meio desta, houve o cumprimento de 13 mandados de busca e 11 de prisão temporária, além de medidas patrimoniais que podem ultrapassar R$ 3 bilhões. Em 26 de agosto de 2025, a Operação Decrypted mirou fraudes com cripto nas regiões Norte e Centro-Oeste, com mandados de busca e sequestro de bens.

Essas ações mostram que, tal como na Europa, as redes utilizam estruturas de fachada, camadas internacionais e liquidez 24/7 para movimentar valores. Sendo assim, a resposta estatal deve combinar investigações de campo, medidas cautelares sobre patrimônio e cooperação com provedores.

Nesse passo, investidores devem sempre ficar atentos à cobrança de taxas para liberar saque. Para além disso, é preciso estar atento se a empresa possui autorização do BC, entidade responsável pelas fiscalizações de transações no Brasil.

A aprendizagem aqui não é abdicar de cripto, mas exigir o básico. Devendo verificar quem está por trás do serviço e sob qual autorização ele opera. Sempre desconfiar de estruturas que prometem rendimento constante.

Mais adiante, estabelecer rotinas de verificação prévia em fontes oficiais. E, registrar, desde o primeiro contato, evidências que facilitem eventual denúncia. Com esses cuidados por parte dos cidadãos e a capacidade de resposta do país, o Brasil caminha para dar resposta a golpes com arquitetura semelhante ao desmantelado na Europa. 

Foto de Vinícius Alencar

Vinícius Alencar

Desenvolvedor e escritor

Sobre o autor

Vinícius Alencar é um escritor técnico que traduz o mercado cripto para a prática do dia a dia. Autodidata e mão na massa, ele testa wallets, exchanges, dApps, layer-2 e ferramentas de segurança em diferentes dispositivos e cenários reais.