Uphold duplica a engenharia no Norte e prepara até 250 contratações até 2026

A norte-americana Uphold escolheu o Norte de Portugal para acelerar o seu plano de crescimento. Com equipas já instaladas no Porto e em Braga, a fintech confirmou a intenção de reforçar a operação com até 250 novas contratações até 2026, com foco em engenharia e funções técnicas avançadas.

Ilustração do Porto com a Ponte Dom Luís I e mapa de Portugal com circuitos, simbolizando reforço de engenharia e novas contratações tech.

O anúncio surge num momento em que a empresa antecipa receitas acima de 300 milhões de dólares em 2025. Adicionalmente, sustentadas por uma base global de mais de 16 milhões de utilizadores e presença em mais de 180 países.

A decisão consolida o peso de Portugal no desenho e entrega de produto a nível mundial, já que cerca de 90% da engenharia da Uphold está hoje no país. Incluindo, posições de liderança sénior e equipas de produto, dados, operações e cibersegurança.

Porto e Braga como motores de produto global

A Uphold opera em Portugal desde 2014 e transformou o eixo Porto-Braga num centro de desenvolvimento com impacto direto no roadmap internacional da plataforma. É aqui que são concebidas, desenvolvidas e entregues a maioria das funcionalidades de compra, venda, guarda e troca de ativos digitais.

Incluindo fiat on e off-ramps e a negociação de mais de 300 ativos em mais de 40 blockchains. A empresa indica, ainda, que já processou mais de 67 mil milhões de dólares em volume e registou mais de 191 milhões de transações.

A anteceder o novo ciclo de crescimento, a operação portuguesa já soma mais de 200 colaboradores num universo mundial superior a 400. Um número expressivo, que demonstra o poderio.

Esse desenho, confirmado pela própria empresa à imprensa económica, reforça a trajetória de Portugal como fornecedor de talento tecnológico qualificado para plataformas financeiras com alcance mundial. O plano anunciado aponta para perfis de backend, frontend, data science e cibersegurança.

Isso entre outras especialidades associadas à escalabilidade de sistemas financeiros digitais. Do lado dos fundamentos, a própria curva de receitas ajuda a enquadrar a aposta. Depois de cerca de 80 milhões de dólares em 2022, a empresa projeta encerrar 2025 acima de 300 milhões de dólares.

Talento e comunidade: Porquê o Norte

A escolha do Norte não é um acaso. Porto e Braga consolidaram-se como polos de talento com ligações estreitas entre universidades, startups e multinacionais, e com uma comunidade ativa de eventos e associações.

A Porto Tech Hub Conference 2025, realizada a 7 de outubro de 2025 na Alfândega do Porto, ilustra a vitalidade do ecossistema com mais de 1.600 participantes, dezenas de talks e uma agenda que cruza engenharia de software, dados, cibersegurança e Web3.

Precisamente as áreas em que a Uphold pretende contratar. Por isso, a presença da empresa enquanto track sponsor evidencia a integração com a comunidade e o posicionamento de marca na atração de perfis técnicos.

No geral, este contexto é particularmente relevante para funções de alto valor acrescentado, onde a proximidade a clusters de conhecimento acelera ciclos de contratação e onboarding. Para profissionais, o momento combina procura aquecida com a possibilidade de trabalhar em produtos globais a partir de Portugal.

Impactos prováveis no mercado de trabalho tech

Para o mercado de trabalho regional, a entrada de até 250 novas posições num único empregador com produto global deverá aumentar a competição por perfis sénior nas áreas de dados e cibersegurança.

Certamente, pressionando pacotes de benefícios e estratégias de retenção. Por outro lado, a chegada de mais equipas tende a criar efeitos de arrastamento sobre fornecedores locais, consultoras e startups, alimentando redes de conhecimento e mobilidade de talento.

Da mesma forma, a leitura dos últimos anos mostra que operações tecnológicas com alto grau de autonomia em Portugal tendem a atrair perfis internacionais e a fixar recém-graduados. Especialmente os que procuram trabalhar em produtos de escala sem emigrar. Alinhando a aposta pública e privada em reforçar o posicionamento do país em tecnologia.

Execução e disciplina regulatória

A expansão de equipas numa plataforma cripto implica também disciplina regulatória e de segurança operacional. O reforço de cibersegurança e data science ajuda a mitigar riscos típicos do setor, do anti-abuso em tempo real ao cumprimento de políticas KYC/AML. Correspondentemente, as alinhadas com as jurisdições onde a plataforma opera.

Assim, este é um ponto que o diretório da Uphold tem sublinhado nas suas comunicações recentes. Enfaticamente, o de crescer sem desviar do essencial, mantendo disciplina e vontade de inovar, num mercado que combina volatilidade tecnológica com requisitos de compliance cada vez mais exigentes.

Doravante, o horizonte de 2026 define a janela para as novas admissões. Além disso, a empresa indica que as vagas serão distribuídas por engenharias de software, dados e segurança, com recrutamento contínuo à medida que os roadmaps de produto avancem.

A associação à Porto Tech Hub e a visibilidade em eventos como a Conference 2025 sugerem que parte do esforço de atração passará por comunidades locais e programas de talento regionais. De fato, isso vai reforçar o círculo virtuoso entre indústria, academia e associações tecnológicas.

Foto de Vinícius Alencar

Vinícius Alencar

Desenvolvedor e escritor

Sobre o autor

Vinícius Alencar é um escritor técnico que traduz o mercado cripto para a prática do dia a dia. Autodidata e mão na massa, ele testa wallets, exchanges, dApps, layer-2 e ferramentas de segurança em diferentes dispositivos e cenários reais.